Coleção autoral · 2005—2025

Momentos
escritos.

Coração e arte em texto escrito. Poemas de Kika Magalhães sobre aquilo que passa, permanece, dói, transforma e recomeça.

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Virada Entre cá e lá Essência perdida circunstancial Uma coisa sem nome palavra · pausa · respiração

Uma voz em movimento

Duas décadas de escrita entre o íntimo e o infinito.

Esta seleção reúne diferentes momentos de uma produção iniciada em 2005. Há poemas de passagem e consciência, textos sobre dor e esperança, experimentações com a palavra e reflexões em que arte e fé se encontram.

Os textos preservam a voz original da autora, com ajustes discretos apenas de espaçamento e ortografia.

Seleção poética

Palavras que atravessam
tempos e estados.

Uma coleção breve, escolhida para apresentar diferentes registros da sua escrita.

02 / 08

Consciência limpa
e consciência pura

O que é limpo parte do não ter;
o que é puro parte do ter.

A mesma relação se mantém
para com a consciência limpa
e a consciência pura.

03 / 08

circunstancial

a vida é um ciclo onde no futuro se encontra o passado, no submerso se encontra o emerso e do profundo se cria a superfície.

04 / 08

Uma coisa
sem nome...

Uma coisa sem nome dói e arrebenta
Uma coisa sem nome rodeia os olhos
Uma coisa sem nome desce pelo pescoço
Uma coisa sem nome pressiona o peito

Uma coisa sem nome não me deixa fazer coisas com nome
Uma coisa sem nome toma meu tempo
Uma coisa sem nome pressiona minha cabeça
Uma coisa sem nome me atordoa e aliena

O que faço com essa coisa sem nome?
Ela está ocupando espaço demais
Ela está ocupando tempo demais
Eu não sei o que fazer

Não encontrei quem pudesse me ajudar
Ai, isso dói, e tem nome, dor

05 / 08

Entre cá e lá

Estou por aqui e também por ali
Uma angústia atravessa meu coração
Me sinto sozinha

Ando para lá, caminho para cá
Deito, depois levanto
e volto a deitar

Algo que não sei identificar
insiste em ficar na minha garganta
algumas pessoas chamam isso de nó

Um nó
sim, é isso
tudo é um nó
gostaria de aprender a desatá-lo
ou quiçá compreendê-lo

as ondas são assim
elas vão, e depois vão novamente
abre o vão que não é em vão
mas no momento
seu caminhar é incerto
mas o vazio é certo

uma linha tênue
onde se tem o bom
no instante se faz o mau
a vida são momentos
uma coleção deles

mas eles passam
e trespassam
e o que fica?
não sei

espero um dia saber
que valeu a pena
sim, valerá
sim, estarei lá

06 / 08

Essência perdida

Tudo tem uma essência
Somos criação divina
Essência de Deus deveríamos ter

O mundo caído e perdido
se conturbou, se deformou
e o que era sublime, perfume,
fundamento e raiz,
se tornou vulgar, fétido,
vingativo e fugaz

um grito desesperançado
busca encontrar a essência perdida
sumida, escondida, distorcida, roubada

mas só Deus restaura o que nunca foi
propicia o que um dia foi
e traz de volta o que anseia ser

Essência divina, essência do ser

vamos remir o tempo
porque os dias são maus

07 / 08

Para mim:
“arte é arte”

eu penso, logo ela existe

caminho para o previsto
mas invisto no imprevisto
faço do acaso o caso
e do caso não faço caso

subjeto objetos
que me perfazem a ideia do criar
e do desprendimento deste
extraio o característico
de onde por fim fará emergir a arte

Fé, ética e encontro

A justiça é cega,
mas o amor tem olhos.

08 / 08 · trecho selecionado

A justiça divide
O amor une
A justiça prende
O amor liberta
A justiça cobra
O amor se dá
A justiça exaure
O amor multiplica

O amor é capaz de gerar o que é justo e o que é ético
Mas a justiça é capaz de matar o amor

Olhos bons e claros
são os olhos do amor
Olhos estes, que transformam vidas
e restauram o homem
Constroem a beleza do ser
e se multiplicam em flores de alegria
que é o crescimento do amor

O que é cego não trata a sequidão
Mas quem tem olhos
rega um deserto e o faz florecer.

Palavra em movimento

A coleção continua sendo escrita.

Poemas, leituras e projetos em que texto, imagem, música e espiritualidade possam se encontrar.

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